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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Identidade do Gaúcho da Pampa

O poema Martin Fierro (maior clássico da literatura gauchesca), do argentino José Hernandez, de 1872, é uma celebração da bravura do gaúcho, do homem livre da pampa em suas lutas pela sobrevivência. Tornou-se ícone máximo do povo da “pampa gaúcha” que compreende a Argentina, Uruguai e Brasil, unidos nessa epopéia, através do Rio Grande do Sul, e particularmente Santana do Livramento. Na vastidão da campanha, onde o olhar se esparrama pelo horizonte, lá esta o pampa, um imenso mar verde que tem suas beiradas no Rio da Prata e seu fim, se é que o tem, na Patagônia, bem mais ao sul.
Um representante da tradição literária ibérica, aquela que registra as façanhas de um bravo cavaleiro, Martin Fierro, porta voz da sua própria historia, foi a revivência do El Cid campeador, o caudilho ibérico de mil anos atrás que, também desterrado, saiu a pelejar contra meio mundo na Espanha da época.Uma espécie de manifesto de desagravo em contraponto aqueles que lutavam contra a existência da cultura do gaúcho. Em 1870, Jose Hernandez participou de um levante armado, o poema redigido em língua nativa e rústica contribui para formação cultural do homem e da mulher da pampa. Uma força telúrica, uma das mais autenticas expressões da liberdade do homem da Latino América. Gauchismo “um estado de espírito supranacional”.

Sant´Ana do Livramento – RS – Brasil
Berço do Martin Fierro
Durante um tempo entre final de 1870 e 1872 o poeta argentino Jose Hernandez esteve exilado na Fronteira da Paz e ali numa pequena pensão, na atualidade na esquina da rua Rivadávia Côrrea com a rua Uruguai, no sul do Brasil. Hernandez não desanimou na sua luta em defesa da pampa gaúcha e à luz da lamparina deu-se a esboçar a primeira parte da sua epopéia xucra, aos fins das tardes na atual Praça General Osório, onde inclusive tem um busto em sua memória, tomando mate e escrevendo aquele que viria ser a principal obra literária que retrata a vida e a personalidade do gaúcho da pampa. A primeira parte do livro foi editada em 1872.

Fonte:
Centro de Cultura Um Canto Para Martin Fierro

Parque Internacional - Fronteira da Paz

Parque Internacional - Fronteira da Paz

Estabelecimento Veraneio, de Wolnei Flores Furtado. Ao fundo o Cerro de Palomas

Estabelecimento Veraneio, de Wolnei Flores Furtado. Ao fundo o Cerro de Palomas

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A HISTÓRIA DO CHARQUE

COM DIREITO A RECEITA DE UM AUTÊNTICO ARROZ DE CARRETEIRO



Em meados de 1777, José Pinto Martins, um Português nascido no distrito de Porto e que vivia no Ceará trabalhando na produção de carne seca, se vê obrigado a deixar o sertão por causa de uma grande seca que castigava o Nordeste reduzindo drasticamente o rebanho bovino. Decide então ir para a vila de Rio Grande, cidade portuária do Rio Grande ao Sul, pois ouvira falar da melhor qualidade do gado (carne) no Sul do Brasil. No entanto, como era muito próxima ao mar e com muito vento, uma característica climática do setor, tornou-se impossível o processo adequado de secagem da carne no local, dirigindo-se então pra freguesia de São Francisco de Paula, hoje cidade de Pelotas. Nesta área instala as margens do Arroio Pelotas a primeira charqueada da região.

Por volta de 1820 já haviam cerca de 25 charqueadas na região e abatiam entorno de 300 mil cabeças de gado ao ano. Por intermédio desses resultados o império resolveu aplicar altas taxas de impostos ao valor do charque ( o velho hábito da robalheira, pra alegria e mordomia da corte ) fazendo que assim a província de São Pedro de Rio Grande (atual Rio Grande do Sul) perdesse mercado para o Uruguai e Argentina já que esses tinham taxação bem mais baixa conquistando os interesses dos produtores de cana e cafeicultores.

Os estancieiros exigiam uma tributação maior ao charque que vinha de fora e por esse motivo o charque teve uma grande influência na guerra dos farrapos.

O nome "charque" vem do dialeto quíchua "xarqui" índios que habitavam os andes.
O Charque, a carne de sol e o jerked beef tem processos diferentes de produção e sabores diferentes também, por isso não são usados na culinária para as mesmas receitas.
As receitas mais conhecidas com o charque no Rio Grande do Sul são:

- Arroz de carreteiro - receita logo abaixo;
- João Trançudo - Um macarrão ao molho de charque, tomate, pimenta e alho.
- Sopa de charque - Sopa feita na fronteira com o Uruguai para dias frios.
Bueno, depois de contar um pouco da história vou passar a receita do arroz de carreteiro.

Ingredientes:
600 gramas de charque;
2 cebola grande cortada em cubos;
3 dentes médios de alho picado;
1 colher de sopa de banha;
2 xícaras de arroz branco( sem lavar);
1 maço de salsinha picado;
1 panela de ferro (indispensável)

Modo de preparo:
Lave bem o pedaço do charque esfregando para tirar a camada de sal, corte-o em pequenos cubos finos, ponha numa panela com água e coloque no fogo até quase levantar fervura, escorra o charque. Deixe a panela de ferro aquecer bem, coloque a colher de banha, em seguida despeje o charque. Deixe dar uma fritada na panela para soltar o gosto, coloque o alho e frite-o junto com a carne, quando o alho começar a dourar, junte a cebola. Após a cebola quase dourar, despeje o arroz e misture na carne por cerca de dois minutos, coloque agua quente até cobrir cerca de dois dedos o arroz, baixe um pouco o fogo até o arroz cozinhar, depois de pronto salpique a salsinha por cima e "de-lhe garfo!!!"

http://i563.photobucket.com/albums/ss79/smoker_album/bbbbbbbbbbbbbbbn.jpg
Créditos http://roberguaiba.blogspot.com